Mais de 10 mil desbravadores de 11 países se reuniram no sul das Filipinas para o campori da Divisão Sul-Ásia-Pacífico (SSD), realizado de 23 de fevereiro a 2 de março de 2025 no campus do Mountain View College, na província de Bukidnon. Sob o tema "Reconstruir o Altar" (Rebuild the Altar), o evento foi organizado pelo Ministério Jovem Adventista da Divisão e reuniu delegações de toda a Ásia e do Pacífico Sul, segundo a Adventist News Network (ANN) e a revista Adventist World.
O tema partiu de 1 Reis 18:30, o episódio em que o profeta Elias reconstrói o altar do Senhor no Monte Carmelo. Ao longo de uma semana, o acampamento combinou cultos, apresentações, cumprimento de especialidades e cerimônias de investidura — a rotina clássica de um campori, aqui em escala internacional.
O que foi o campori 'Reconstruir o Altar'
De acordo com a Adventist News Network, o campori da Divisão Sul-Ásia-Pacífico aconteceu de 23 de fevereiro a 2 de março de 2025 e reuniu mais de 10 mil desbravadores no Mountain View College, em Valencia, província de Bukidnon, na ilha de Mindanao, nas Filipinas. A organização coube ao Ministério Jovem Adventista (Adventist Youth Ministries) da própria Divisão.
O tema oficial, "Reconstruir o Altar", foi tirado de 1 Reis 18:30 — o momento em que Elias convoca o povo, repara o altar destruído e prepara o sacrifício que seria consumido por fogo do céu. Segundo a revista Adventist World, a proposta era usar essa imagem para chamar os jovens a renovar a vida devocional e o compromisso espiritual. "Reconstruir o altar é reconstruir o seu relacionamento e a sua fé em Deus", resumiu o presidente da Divisão, o Mestre Guia Roger Caderma, em fala reproduzida pelas fontes oficiais do evento.
A Divisão Sul-Ásia-Pacífico, conhecida pela sigla em inglês SSD, é uma das regiões administrativas mundiais da Igreja Adventista e cobre boa parte do Sudeste Asiático. É uma realidade distinta da Divisão Sul-Americana (DSA), que administra o trabalho dos desbravadores no Brasil — mas o programa, os uniformes e a estrutura de classes seguem a mesma matriz internacional, o que torna encontros como esse familiares para qualquer desbravador brasileiro.
Onze países e as maiores delegações
O campori reuniu delegações de 11 países: Filipinas, Indonésia, Tailândia, Timor-Leste, Singapura, Malásia, Brunei, Mianmar, Laos, Vietnã e Camboja. Muitas dessas nações têm presença adventista minoritária, o que dá ao encontro um peso simbólico: para vários grupos, viajar até as Filipinas foi a chance de acampar ao lado de milhares de outros jovens da mesma fé.
As maiores delegações vieram do próprio sul das Filipinas. Segundo as uniões locais que participaram da organização, a União do Sudoeste das Filipinas (Southwestern Philippine Union Conference) levou 5.135 desbravadores, e a Missão do Sudeste das Filipinas (Southeastern Philippine Union Mission) somou 3.046 — juntas, mais de 8 mil dos participantes. A União da Malásia, por sua vez, marcou sua primeira participação em um campori da Divisão, um marco destacado pelas notícias oficiais da região.
Reunir tanta gente de tantos lugares é justamente o objetivo de um campori em escala de Divisão: transformar clubes locais, que costumam se ver apenas em eventos regionais, em uma comunidade internacional por alguns dias.
Afinal, o que é um campori
Para quem está chegando agora ao universo dos desbravadores, vale a explicação: um campori é um grande acampamento que reúne vários Clubes de Desbravadores ao mesmo tempo. A palavra vem do inglês camporee, combinação de camp (acampamento) com a ideia de jamboree, um encontro festivo de grande porte.
Os camporis acontecem em diferentes níveis: há os regionais, organizados por uma associação ou missão; os de União, que juntam vários campos; e os de Divisão, os maiores de todos, que reúnem delegações de países inteiros — como foi o caso nas Filipinas. No Brasil, o equivalente em escala nacional é organizado pela Divisão Sul-Americana e costuma acontecer a cada cinco anos.
Nesses eventos, os clubes acampam em barracas, cumprem requisitos de especialidades, participam de cultos e apresentações, competem em provas de habilidade e vivem a rotina de disciplina e espiritualidade que define o movimento. É também nos camporis que muitos desbravadores passam por sua investidura — a cerimônia que reconhece formalmente a conclusão de uma classe ou de um curso de liderança.
Leia tambémCerca de 5 mil desbravadores se reúnem no 4º Campori da SID, no ZimbábueUm santuário em tamanho real e a semana de programação
Para dar corpo ao tema, a organização montou um santuário em tamanho real perto da biblioteca do Mountain View College. A réplica reproduzia a estrutura do santuário do Antigo Testamento e permitia que os acampantes percorressem seus ambientes de perto — uma forma de conectar a mensagem sobre "reconstruir o altar" à experiência prática, informou a cobertura oficial do evento.
Ao longo da semana, a programação incluiu cultos matinais, plenárias, dramatizações noturnas sobre a história de Elias, competições de conhecimento bíblico e o cumprimento de dezenas de especialidades. "Um altar é um lugar onde você se encontra com Deus", afirmou o tesoureiro da Divisão, o pastor Jacinth Adap, segundo o Hope Channel Filipinas, ao explicar a ideia central do encontro.
Encerrando a semana, houve cerimônia de investidura — inclusive de novos Mestres Guias, a classe de liderança avançada do movimento — e uma apresentação final com fogos de artifício, marcando o fim de uma das maiores concentrações de desbravadores já realizadas na região.
Decisões espirituais durante o acampamento
Além da programação de acampamento, o campori teve um lado evangelístico. A União do Sudoeste das Filipinas, uma das que ajudaram a organizar o evento, relatou 155 batismos ao longo da semana, incluindo estudantes que ainda não eram adventistas. Entre os batizados, a união citou um aluno do sexto ano, sinal de que boa parte das decisões partiu do próprio público infantojuvenil do acampamento.
Números de batismos costumam ser levantados pelas uniões e associações locais, e não pela Divisão como um todo; por isso, o total geral do campori pode variar conforme a fonte. O dado dos 155, aqui, é o que foi divulgado pela União do Sudoeste das Filipinas em sua cobertura própria do evento.
Para o Ministério Jovem, é esse desfecho que dá sentido à logística de mover mais de 10 mil pessoas: o acampamento como ponto de partida para decisões que continuam depois que as barracas são desmontadas.
Por que uma notícia da Ásia interessa ao desbravador brasileiro
À primeira vista, um campori nas Filipinas parece distante da rotina de um clube no Brasil. Mas o movimento dos desbravadores é o mesmo mundo inteiro afora: fundado dentro da Igreja Adventista, ele hoje reúne milhões de crianças e adolescentes em mais de uma centena de países, todos com uniforme, lei, voto e sistema de classes comuns.
O que muda são as Divisões — as grandes regiões administrativas da igreja. O Brasil pertence à Divisão Sul-Americana (DSA); as Filipinas, à Divisão Sul-Ásia-Pacífico (SSD). Cada Divisão adapta calendário, materiais e camporis à sua realidade, mas todas bebem da mesma fonte. Por isso, ao ver 10 mil jovens asiáticos montando um santuário e sendo investidos como Mestres Guias, o desbravador brasileiro reconhece imediatamente o próprio programa em outra língua e outra paisagem.
Eventos como o campori "Reconstruir o Altar" ajudam a lembrar que o clube da esquina faz parte de algo grande — uma rede internacional que, apesar das distâncias, marcha ao mesmo passo.