Em 1894, um pastor nascido no interior dos Estados Unidos desembarcou em Buenos Aires com a esposa e dois filhos pequenos. Ele não falava espanhol, não conhecia quase ninguém e carregava uma tarefa nada modesta: pastorear e organizar os primeiros adventistas de um continente inteiro.

O nome dele era Francis Henry Westphal, o Frank. Poucos meses depois de chegar, ele reuniu trinta e seis pessoas numa colônia de imigrantes alemães em Crespo, na Argentina, e fundou a primeira igreja adventista da América do Sul. Daquele começo nasceu, com o tempo, a Divisão Sul-Americana, a região à qual o seu Clube pertence.

Esta é a história de um homem que disse sim a um chamado difícil, e do caminho que esse sim abriu para milhões de desbravadores.

Quem foi Frank Westphal

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Francis Henry Westphal nasceu em 15 de dezembro de 1858, em New London, no estado de Wisconsin, nos Estados Unidos. Era filho de imigrantes alemães, e essa herança, o idioma e os costumes trazidos da Europa, pesaria muito na missão que ele receberia mais tarde.

Aos dezenove anos ele aceitou a mensagem adventista, na época em que o movimento chegou à sua cidade. Não ficou parado depois disso. Ainda muito jovem, envolveu-se na liderança da pequena congregação local e, com o passar dos anos, veio o estudo, a pregação e a ordenação ao ministério pastoral.

Quem conviveu com ele descrevia um homem de fala firme e trabalho constante, do tipo que aceita uma tarefa grande sem fazer alarde. Foi essa combinação de preparo e disposição que colocou o nome dele sobre a mesa quando a igreja precisou de alguém para uma missão que ninguém tinha feito antes.

O chamado que atravessou o oceano

Em 1894, a Associação Geral (a liderança mundial da Igreja Adventista) tomou uma decisão histórica: votou enviar Frank Westphal como o primeiro ministro ordenado a entrar na América do Sul. Até então, o continente não tinha nenhum pastor adventista organizando o trabalho.

No dia 18 de julho de 1894, Westphal, a esposa, um filho e uma filhinha de colo embarcaram no navio S. S. Paris rumo ao desconhecido. A viagem era longa e o destino, incerto. Do outro lado do Atlântico esperavam pequenos grupos espalhados que liam sobre o sábado e sonhavam com um pastor.

Ao chegar, ele foi eleito presidente da Missão da Costa Leste da América do Sul, um território enorme que reunia Argentina, Uruguai, Paraguai e Brasil, com escritório em Buenos Aires. Um pastor, quatro países, milhões de quilômetros quadrados. A conta não fechava pela lógica humana, e mesmo assim ele começou.

Crespo: a primeira igreja do continente

O primeiro grande marco veio rápido. Em 9 de setembro de 1894, poucas semanas depois de desembarcar, Westphal organizou em Crespo, na província de Entre Ríos, na Argentina, a primeira igreja adventista da América do Sul. Eram trinta e seis membros na fundação.

Não foi por acaso que tudo começou ali. Crespo era uma colônia de imigrantes de língua alemã, gente da mesma raiz cultural de Westphal. Ele foi recebido com carinho e se hospedou na casa de George Riffel, um agricultor que já vinha reunindo famílias interessadas na mensagem. Riffel acabou eleito ancião daquela primeira igreja.

Pense no que aquele número representa. Trinta e seis pessoas numa colônia rural, longe de tudo, foram o grão de mostarda de uma árvore que hoje abriga milhões de fiéis. A primeira ata, a primeira eleição de ancião, o primeiro culto organizado de um continente inteiro couberam numa casa de fazenda.

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As sementes vieram antes do pastor

Há um detalhe que costuma se perder nessa história. Westphal foi o primeiro pastor ordenado a chegar, e o adventismo já vinha sendo semeado no continente havia anos antes dele, por gente muito simples.

Desde 1891, colportores (vendedores de livros e revistas cristãs) circulavam pelo continente deixando publicações em espanhol, alemão e português. Lionel Brooking foi um desses nomes que abriram picada, vendendo páginas que ninguém sabia se seriam lidas. Em Crespo, o próprio George Riffel, um suíço batizado com a família em 1888 nos Estados Unidos, voltara para a Argentina e evangelizara os vizinhos, chegando a cerca de oito famílias guardando o sábado antes de qualquer pastor pisar ali.

A imagem ajuda a entender a diferença entre os dois papéis. Os colportores plantaram a semente, folha por folha, casa por casa. Westphal veio para regar, pastorear e organizar o que já brotava, transformando grupos soltos em igrejas com estrutura. Se você quer entender por que aquelas famílias deram o passo do batismo, vale conhecer o que essa decisão significa em batismo: o que é e como decidir.

Argentina, Uruguai e Brasil: estruturando a obra

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Crespo foi só o início. Com a primeira igreja de pé, Westphal passou os anos seguintes viajando muito e organizando congregações por onde a mensagem já havia chegado. A obra que ele coordenava se espalhou pela Argentina e alcançou o Uruguai e o Brasil.

Cada novo grupo exigia o mesmo trabalho paciente: reunir os interessados, ensinar a doutrina, batizar, eleger líderes locais e deixar uma igreja capaz de andar sozinha quando o pastor seguisse viagem. Era um ministério de estradas de terra, cartas demoradas e barcos, muito diferente do conforto de hoje, e ainda assim as pequenas igrejas foram se multiplicando.

Com o tempo, aquela Missão da Costa Leste cresceu, se dividiu em novos campos e ganhou escolas, editoras e hospitais. A base institucional de tudo isso remonta às viagens daquele primeiro pastor que aceitou cuidar sozinho de um território que hoje precisa de milhares de líderes.

Uma família a serviço do continente

Frank não estava sozinho no sobrenome. O irmão dele, Joseph W. Westphal, nascido também em New London em 1861, seguiu o mesmo caminho e se tornou outro nome importante da liderança adventista sul-americana, chegando a ocupar cargos de direção na região por muitos anos.

A história continuou na geração seguinte. Filhos e parentes dos Westphal também serviram à igreja no continente, em funções de ensino e administração. Foi, no sentido literal, uma família plantada num campo missionário, com vários de seus membros dedicando a vida ao mesmo objetivo.

Isso ensina algo bonito sobre vocação. O chamado que chegou a Frank não morreu com ele. Passou para o irmão, para os filhos e, num sentido mais amplo, para cada pessoa que hoje serve num Clube. Missão de verdade não morre numa pessoa; ela se transmite.

O que a coragem dele tem a ver com você

Quando o profeta Isaías ouviu Deus perguntar quem iria, respondeu sem rodeios. O texto registra: "Depois disto, ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim" (Isaías 6:8, ARA). Frank Westphal deu essa mesma resposta em 1894, e um continente inteiro sentiu o efeito.

Você talvez nunca atravesse um oceano. Mas o chamado de Isaías cabe em coisas pequenas do seu Clube: aceitar liderar uma Unidade, convidar um amigo que não conhece Jesus, servir na comunidade, cuidar de quem é mais novo. A Bíblia diz que "quão formosos são os pés dos que anunciam coisas boas" (Romanos 10:15, ARA), e esses pés podem ser os seus.

Da próxima vez que você cantar o hino do Clube ou receber uma insígnia da Divisão Sul-Americana, lembre que tudo isso tem uma raiz concreta: um pastor que disse sim quando a tarefa parecia grande demais. Se você quer entender melhor a base dessa entrega, comece por o que é fé e deixe a história de Westphal te encorajar a dar o seu próprio passo.