Imagine descobrir uma verdade importante lendo a Bíblia e decidir viver por ela, mesmo sem saber se mais alguém no mundo inteiro concorda com você. Foi exatamente isso que aconteceu com Guilherme Stein Jr., um rapaz de família imigrante que morava no interior de São Paulo no fim do século 19.

Antes de a Igreja Adventista chegar organizada ao Brasil, com pastores e missionários, Guilherme já estava guardando o sábado. Ele não copiou de ninguém. Ele leu, estudou e decidiu. Anos depois, quando a mensagem finalmente chegou por meio de um livro e de colportores, ele foi o primeiro brasileiro a ser batizado, em 1895.

A vida dele é uma das histórias mais bonitas para você, Desbravador, entender de onde vem a fé que você aprende no Clube. E também para aprender a estudar por si mesmo, sem aceitar tudo de boca aberta.

Quem foi esse rapaz de Campinas?

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Guilherme Stein Jr. nasceu em 13 de novembro de 1871, na cidade de Campinas, no interior de São Paulo. Ele era filho de imigrantes: gente que veio da Suíça e da Alemanha para começar vida nova no Brasil. Naquela época, muitas famílias europeias se instalaram por aqui e formaram colônias, com sua própria língua, seus costumes e seus livros vindos de longe.

Guilherme cresceu nesse ambiente. Trabalhava como ferramenteiro, ou seja, sabia fabricar e consertar ferramentas com as próprias mãos. Era um rapaz caprichoso, curioso e trabalhador. Ao longo da vida, chegou a se comunicar em português, alemão e inglês, o que mais tarde seria muito útil no trabalho da igreja.

Guarde uma coisa: ele não era pastor, nem missionário, nem filho de líder famoso. Era um jovem comum, com um emprego comum. Isso importa para você. Deus não escolheu alguém importante para ser o primeiro. Escolheu alguém disposto a estudar e a obedecer. Você também pode ser esse tipo de pessoa no seu Clube.

Um livro esquecido numa casa: como a mensagem chegou

A história dá uma volta interessante. Anos antes de Guilherme se converter, colportores adventistas (pessoas que vendiam livros de porta em porta) passaram pela região de Piracicaba. Um deles, provavelmente o colportor Augustus B. Stauffer, vendeu um exemplar do livro Der Grosse Kampf, que em português se chama O Grande Conflito, para a avó da moça que viria a ser esposa de Guilherme.

Repare no detalhe: o livro foi vendido em alemão. Isso só funcionou porque a família era de colônia imigrante e lia naquela língua. Uma semente foi plantada e ficou ali, quietinha, esperando. Ninguém imaginava o que aquele livro faria anos depois.

Quando o livro chegou às mãos de Guilherme, ele mergulhou na leitura. Devorou aquelas páginas que falavam da história da igreja, da luta entre o bem e o mal e das grandes verdades da Bíblia. Foi um dos empurrões que confirmaram o caminho que ele já vinha descobrindo por conta própria. Se você quer entender esse livro que marcou tanta gente, dá uma olhada em O Grande Conflito para jovens.

Ele guardou o sábado lendo a Bíblia, sem imitar ninguém

Aqui está o coração da história. Antes mesmo de conhecer qualquer adventista, Guilherme, estudando a Bíblia, entendeu que o sétimo dia da semana, o sábado, é o dia de descanso que Deus separou. E ele fez algo corajoso: começou a guardar o sábado por convicção, sem saber se havia mais alguém no mundo que acreditasse naquilo.

Pense no tamanho disso. Não tinha grupo, não tinha igreja perto, não tinha amigo para dizer "vem comigo". Só ele, a Bíblia e a decisão de obedecer ao que leu. Jesus tinha convidado as pessoas a fazer exatamente isso: "Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim" (João 5:39, ARA). Guilherme levou esse convite a sério.

A Bíblia elogia gente assim. Em Bereia, havia um grupo que ficou famoso por não engolir nada sem conferir: "pois receberam a palavra com toda a avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram, de fato, assim" (Atos 17:11, ARA). Guilherme foi um bereiano brasileiro. Se você quer entender por que os adventistas guardam o sábado, veja Sábado: por que guardamos.

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O batismo de 1895: a igreja chega e encontra quem já esperava

No início da década de 1890, a mensagem adventista começou a se organizar de verdade no Brasil, trazida por colportores e, depois, por pastores enviados de fora. Um deles foi Frank Henry Westphal, o primeiro pastor adventista ordenado a atuar na América do Sul.

Quando Guilherme recebeu mais orientação e estudo sobre a fé, ele estava pronto. Em abril de 1895, foi batizado por imersão nas águas do Rio Piracicaba, pelo pastor Frank Westphal. Com isso, entrou para a história como o primeiro brasileiro batizado na Igreja Adventista do Sétimo Dia. Foi bonito de ver: a igreja oficial chegou e encontrou um brasileiro que já vivia aquela fé de coração.

Vale uma nota honesta, do jeito bereiano: por volta da mesma época, outras pessoas no Brasil, como Guilherme Belz e vizinhos, também começaram a guardar o sábado sem conhecer nenhum adventista. Por isso os historiadores costumam dizer, com cuidado, que Stein Jr. foi o primeiro brasileiro batizado como adventista. Bons historiadores não exageram, e a gente aprende com eles.

O que ele fez depois: da bancada de ferramenteiro ao evangelho

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Depois do batismo, a vida de Guilherme mudou de rumo. A família dele se envolveu de tal forma que, logo em seguida, a primeira Escola Sabatina do Brasil foi organizada na cidade de Indaiatuba, ligada aos novos convertidos daquele grupo. Foi ali que começou, no país, aquele encontro de estudo da Bíblia que você conhece todo sábado de manhã.

Guilherme não parou. Largou o trabalho de ferramenteiro e virou colportor, vendendo livros de porta em porta, do mesmo jeito que os livros um dia chegaram até ele. Depois ajudou a abrir escolas adventistas pioneiras e trabalhou no ministério das publicações, ajudando a produzir as primeiras revistas adventistas em português. Ele mesmo se tornou um dos primeiros obreiros brasileiros da igreja.

Guilherme Stein Jr. faleceu em 5 de outubro de 1957, já bem idoso. De um livro esquecido numa casa até uma vida inteira dedicada a espalhar a mensagem: essa é a história de um homem que começou pequeno e deixou uma marca enorme. Tudo porque, um dia, resolveu levar a sério o que leu na Bíblia.

O que Guilherme ensina você a fazer no Clube

A primeira lição é direta: estude por si mesmo. Guilherme não esperou alguém mastigar tudo para ele. Você tem a Bíblia, tem o Conselheiro, tem a Unidade. Na próxima reunião, quando surgir uma dúvida sobre uma crença, não fique só ouvindo. Pergunte, abra o texto, confira. Ser bereiano é isso: acreditar de verdade porque você examinou, não porque alguém mandou.

A segunda lição é sobre coragem. Guardar o sábado era estranho e solitário para ele. Talvez você também passe por situações em que fazer o certo parece te deixar sozinho: um sábado de prova na escola, um amigo que zomba da sua fé, um convite que você precisa recusar. Guilherme mostra que dá para ser fiel mesmo sem plateia. Deus vê.

A terceira lição é sobre semear. Aquele colportor que vendeu o livro nunca soube que ele geraria o primeiro adventista batizado do Brasil. Quando você convida um amigo para o Clube, entrega um folheto ou faz um projeto de serviço, você está plantando sementes que podem crescer anos depois. Você não precisa ver o resultado hoje para valer a pena.

Seja bereiano também com as datas e os fatos

Histórias antigas costumam ganhar versões diferentes com o tempo. Alguém conta, outro repete, e no caminho uma data muda ou um lugar troca. Por isso, quando você for apresentar a vida de Guilherme na sua Unidade, vale checar antes. Ele nasceu em Campinas, e não em Piracicaba; Piracicaba é onde ele foi batizado. O batismo foi em 1895, e não nos anos 1880. Detalhes assim importam.

Isso combina perfeitamente com o exemplo que o próprio Guilherme deixou. Ele não aceitou nada sem conferir na fonte. Faça o mesmo. Ao preparar um trabalho, procure fontes confiáveis, como a Enciclopédia Adventista e a Casa Publicadora Brasileira, em vez de repetir o primeiro texto que aparecer. Se um dado não bate ou você não achou onde confirmar, é melhor deixar de fora do que inventar.

Contar a história com honestidade é uma forma de respeito, com Deus e com as pessoas que viveram de verdade. Guilherme Stein Jr. merece ser lembrado com fatos certos. E você, ao aprender a pesquisar direito, ganha uma habilidade para a vida inteira: a de separar o que é verdade do que é só boato.