A especialidade de Língua de Sinais, a especialidade de Libras dos Desbravadores, costuma ser o primeiro contato do desbravador com uma língua feita de mãos, rosto e corpo. No Brasil, essa língua é a Língua Brasileira de Sinais (Libras), reconhecida pela Lei 10.436/2002. Quem conclui a especialidade consegue soletrar o próprio nome, cumprimentar um colega surdo e entender por que a Libras tem gramática própria.
Os requisitos completos da especialidade de Língua de Sinais estão no catálogo, com o código AM-014; aqui aparecem resumidos e sem gabarito. A inclusão do colega surdo no clube está no guia sobre desbravador surdo e Libras; este texto trata da língua. Dados conferidos em 06/10/2026.
O que é a especialidade de Língua de Sinais dos Desbravadores?
A especialidade de Língua de Sinais tem o código AM-014 e pertence às especialidades de Atividades Missionárias e Comunitárias. Segundo o catálogo, foi criada em 1978 pela Associação Geral da Igreja Adventista do Sétimo Dia e está no nível 1, sem pré-requisito.
Serve para qualquer desbravador, sobretudo em Unidades com um colega surdo. Ela abre uma sequência: a especialidade de Língua de Sinais avançado (AM-018, nível 3, de 1991) exige esta, e a especialidade de Intérprete de Língua de Sinais (AP-051), criada em 2012 pela Divisão Sul-Americana (DSA) na área de Atividades Profissionais, exige a avançada.
| Item | Especialidade de Língua de Sinais |
|---|---|
| Código | AM-014 |
| Área | Atividades Missionárias e Comunitárias |
| Nível | 1 (básico), sem pré-requisito |
| Criação | 1978, pela Associação Geral |
| Requisitos | 6, sendo o último dividido em 3 itens |
| Próximo passo | Língua de Sinais avançado (AM-018) |
Ficha da especialidade no catálogo Desbravai, conferida em 06/10/2026.
Quais são os requisitos da especialidade de Libras?
São seis requisitos, e o sexto tem três itens. Quase tudo é prático, demonstrado ao instrutor, e por isso a busca por especialidade respondida ajuda pouco aqui.
As aulas e os sinais pedem instrutor fluente; o texto sobre quem assina uma especialidade explica quem pode avaliar.
| Nº | O que o requisito pede | Tipo |
|---|---|---|
| 1 | Demonstrar o alfabeto manual (letras e números) da língua de sinais do país | Demonstração |
| 2 | Ter 5 horas de aula, no mínimo, com instrutor fluente | Aula |
| 3 | Enviar e receber soletração a 10 palavras por minuto, com 30 letras no mínimo | Prática |
| 4 | Aprender 150 sinais, no mínimo, com instrutor fluente | Vocabulário |
| 5 | Apresentar 2 músicas de 2 minutos ou mais, em sinais, sem soletrar | Apresentação |
| 6a | Explicar a diferença entre sinais e gestos | Estudo |
| 6b | Explicar a diferença entre surdo e deficiente auditivo | Estudo |
| 6c | Visitar uma escola de ensino fundamental que trabalhe com surdos e perguntar como funciona a inclusão | Visita |
Resumo dos requisitos da AM-014 no catálogo Desbravai; confira o texto completo com o instrutor.
Libras é uma língua ou uma linguagem?
Libras é uma língua, e a lei brasileira confirma. A Lei nº 10.436, de 24 de abril de 2002, reconhece a Língua Brasileira de Sinais como meio legal de comunicação e expressão e a descreve como sistema linguístico de natureza visual-motora, com estrutura gramatical própria. A mesma lei determina que a Libras não substitui o português escrito: a pessoa surda brasileira convive com as duas.
A apostila de Libras do curso de acessibilidade da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), de 2019, descreve a Libras como língua visual-espacial: a mensagem sai das mãos, do corpo e do rosto e é recebida pelos olhos. A ordem das palavras é flexível, e a que parece ser a mais usada, segundo autores citados pela Fiocruz, é a tópico-comentário: primeiro o assunto, depois o que se diz sobre ele. Gênero não tem terminação: para marcar feminino ou masculino, junta-se o sinal de MULHER ou de HOMEM.
Ela também não é universal. Segundo a Federação Mundial dos Surdos, citada pela Organização das Nações Unidas (ONU), mais de 70 milhões de pessoas surdas no mundo usam mais de 300 línguas de sinais, que a ONU define como línguas naturais completas; por isso o requisito 1 fala na língua de sinais do seu país. Há variação até dentro do Brasil: segundo reportagem do Estadão de 2021, a cor verde tem sinais diferentes no Rio de Janeiro, no Paraná e em São Paulo. E um estudo de 2023 nos Cadernos de Linguística, da Associação Brasileira de Linguística (Abralin), cita pesquisa que encontrou semelhança de só 29% entre o vocabulário da Libras e o da Língua Terena de Sinais, uma língua de sinais indígena.
A Libras também tem história. Segundo o informativo Espaço, do Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES), a primeira escola para surdos do país nasceu da iniciativa do professor surdo francês E. Huet e abriu no Rio de Janeiro em 1856; a data oficial de fundação é a da Lei 939, de 26 de setembro de 1857. A língua usada ali, hoje reconhecida como Libras, tem forte influência francesa e foi levada aos estados pelos ex-alunos.
Quais são os parâmetros da Libras?
Os sinais da Libras são feitos de unidades menores, os parâmetros. A literatura brasileira, a partir do livro de Ronice Müller de Quadros e Lodenir Karnopp (2004), descreve cinco: três descritos primeiro pelo linguista americano William Stokoe, em 1960, ao estudar a língua de sinais americana, e dois incorporados por pesquisas posteriores, segundo o estudo da Abralin.
Trocar um único parâmetro pode trocar o sentido do sinal, a mesma ideia de "pato" e "gato" no português. A Fiocruz mostra que GOSTAR e NÃO-GOSTAR se diferenciam pela orientação da mão e pelo movimento, e que perguntas com ONDE e COMO precisam da expressão facial de interrogação.
Os parâmetros ajudam no item 6a. Compare um sinal da Libras com um gesto comum, como o polegar para cima, e observe se há regra fixa, vocabulário combinado entre falantes e mudança de sentido quando um parâmetro muda. Depois explique com as suas palavras.
| Parâmetro | O que é | Para lembrar |
|---|---|---|
| Configuração de mão (CM) | O formato da mão ao fazer o sinal | Cada letra do alfabeto manual é um formato de mão |
| Locação ou ponto de articulação (L) | Onde o sinal é feito: no corpo ou no espaço neutro, à frente do peito | Mesmo formato em outro lugar pode virar outro sinal |
| Movimento (M) | Movimento das mãos, braços e ombros: tipo, direção, maneira e frequência | É o parâmetro mais complexo |
| Orientação da palma (O) | Para onde a palma está virada | Os pronomes apontados, como EU e VOCÊ, dependem dela |
| Expressões não manuais (ENM) | Expressões do rosto e do corpo junto com as mãos | Marcam emoção, perguntas e negações |
Parâmetros segundo Quadros e Karnopp (2004), citados por Abreu (Abralin, 2023) e pela Fiocruz (2019).
Leia tambémEspecialidade de PacificadorComo aprender o alfabeto manual e os números em Libras?
O alfabeto manual, ou datilológico, serve para soletrar letra por letra. Essa soletração, a datilologia, entra quando a palavra não tem sinal, como nomes de pessoas e de ruas, marcas e termos científicos, segundo a Fiocruz, que trata o alfabeto manual como empréstimo do português. A conversa de verdade acontece com os sinais, tanto que o requisito 5 proíbe soletrar as músicas.
Os números mudam de forma conforme o sentido: cardinais, quantidades, ordinais e valores em dinheiro (Felipe, 2007, citada pela Fiocruz). Os cardinais servem para telefone e número de casa. Combine com o instrutor quais formas entram no requisito 1.
Para o requisito 3, a Fiocruz aponta três erros típicos de iniciantes: virar a palma para si mesmo em vez de mostrá-la a quem lê, passar de uma letra para outra aos trancos, como socos no ar, e confundir letras de formato parecido. Um treino para a Unidade:
- Soletre o próprio nome devagar, com a palma virada para o colega, até sair sem pensar.
- Em dupla, um soletra palavras curtas e o outro escreve o que leu.
- Ligue o cronômetro só quando as letras estiverem limpas.
Na comunidade surda, cada pessoa costuma receber um sinal próprio, atribuído por outro surdo, que funciona como nome de batismo, segundo autores citados pela Fiocruz. Não invente um para você mesmo.
Qual a diferença entre surdo e deficiente auditivo?
Para o item 6b, a lei é um bom ponto de partida. O Decreto nº 5.626, de 22 de dezembro de 2005, que regulamenta a Lei da Libras, traz duas definições separadas. Uma descreve a pessoa surda pela experiência visual do mundo e pela Libras como expressão da sua cultura. A outra define a deficiência auditiva por exame: perda bilateral, parcial ou total, de 41 decibéis ou mais, medida por audiograma nas frequências de 500, 1.000, 2.000 e 3.000 Hz.
A Fiocruz acrescenta duas visões da surdez: a clínica, que a trata como doença à espera de cura, e a socioantropológica, que vê a pessoa pela diferença linguística e cultural. Explique ao instrutor como elas conversam com o decreto. O guia sobre como incluir o desbravador surdo mostra o efeito disso no clube.
Nos resultados preliminares da amostra do Censo Demográfico 2022, divulgados em 2025, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estimou 2,6 milhões de pessoas de 2 anos ou mais com deficiência auditiva, isto é, que declararam muita dificuldade para ouvir ou nenhuma condição de ouvir, mesmo com aparelho auditivo; cerca de 543,8 mil disseram não conseguir ouvir de modo algum. Estudos citados pela Fiocruz indicam que aproximadamente 95% das crianças surdas são filhas de pais ouvintes.
Como fazer a visita a uma escola que trabalha com surdos?
Para a visita do item 6c, vá preparado. Desde 2021, a Lei nº 14.191 incluiu na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional a educação bilíngue de surdos, com a Libras como primeira língua e o português escrito como segunda, em escolas ou classes bilíngues, escolas comuns ou polos, a partir da educação infantil. O Decreto 5.626/2005 prevê ainda intérpretes de Libras em sala de aula nas instituições federais de ensino.
Marque a visita pela direção da escola e vá com o instrutor ou um conselheiro. Ali estudam crianças: não fotografe nem filme alunos.
| Tema | Pergunta para a escola |
|---|---|
| Modelo | A escola é bilíngue, tem classe bilíngue ou recebe o aluno surdo na sala comum? |
| Língua das aulas | O conteúdo chega direto em Libras ou por intérprete? |
| Equipe | Quem sinaliza: professor bilíngue, intérprete, instrutor surdo? |
| Português escrito | Como a escola ensina o português escrito como segunda língua? |
| Colegas ouvintes | Os alunos ouvintes aprendem Libras? |
Roteiro sugerido para o item 6c, com base na Lei 14.191/2021 e no Decreto 5.626/2005.
Como conseguir as aulas, os 150 sinais e as duas músicas sinalizadas?
Comece pelo instrutor. O Decreto 5.626/2005 prevê a formação de instrutores de Libras e dá prioridade a pessoas surdas nesses cursos. Na igreja, o Ministério Adventista das Possibilidades, ao qual está ligado o Ministério Adventista dos Surdos (MAS), contava com 26 cursos gratuitos de Libras no Brasil e uma escola on-line com 517 alunos, segundo o portal Notícias Adventistas, em outubro de 2025. Pergunte à sua Associação ou Missão qual turma fica mais perto.
Organize os 150 sinais por temas: cumprimentos, família, números, cores e palavras da igreja e do clube, como oração, Bíblia e barraca. Com autorização do instrutor, grave as aulas para revisar em casa.
Nas duas músicas, tudo sai em sinais. Faça a tradução com o instrutor, porque a ordem das palavras do português nem sempre funciona em Libras, e ensaie com expressão facial, olhando para a plateia. O Dia Nacional dos Surdos (26 de setembro, Lei nº 11.796/2008, mesma data da fundação oficial do INES) e o Dia Internacional das Línguas de Sinais (23 de setembro, proclamado pela ONU em 2017) são boas datas para apresentar.
Erros que mais atrasam a especialidade:
- Aprender só por vídeo. O instrutor fluente corrige configuração e movimento na hora.
- Esquecer o rosto. Sem expressão facial, a pergunta perde o sentido.
- Treinar só o envio. O requisito 3 cobra também a leitura.
Quando estiver pronto, confira os requisitos completos da especialidade de Língua de Sinais no catálogo e combine a avaliação com o seu instrutor. Depois vem a especialidade de Língua de Sinais avançado, que pede uma conversa de pelo menos dois minutos com uma pessoa surda.