Todos os anos, milhares de famílias no Brasil têm de deixar a casa, por um tempo ou de vez, por causa de alagamentos, enchentes, enxurradas e deslizamentos, lembra o Ministério da Saúde. Um aviso da Defesa Civil só protege quem consegue recebê-lo e sabe o que fazer com ele. Por isso, receber o alerta da Defesa Civil no celular é o primeiro passo do plano de qualquer família, e o segundo é ter em casa o kit de emergência pronto para sair.
Este guia mostra os canais oficiais, o que fazer nos primeiros minutos e como montar o plano e a mochila de emergência, um assunto para o Desbravador resolver com os pais e para o Conselheiro levar à Unidade.
Como receber o alerta da Defesa Civil no celular?
Quando há risco de enchente, deslizamento ou vendaval, a Defesa Civil emite avisos à população. No celular, eles chegam por três caminhos principais: SMS 40199, WhatsApp e, nas situações mais graves, a tecnologia cell broadcast, que no Brasil se chama Defesa Civil Alerta. O portal gov.br cita ainda o Telegram e a TV por assinatura.
Os dois primeiros dependem de inscrição. O terceiro dispensa cadastro e alcança todo celular compatível que estiver na área de risco, inclusive o de quem só está de passagem pela cidade. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) recomenda usar mais de um canal, porque um completa o outro.
| Canal | Como ativar | Precisa de cadastro? | O que chega |
|---|---|---|---|
| SMS 40199 | Mandar só o CEP por SMS para o número 40199 | Sim, gratuito | Alertas e recomendações da Defesa Civil para cada CEP cadastrado |
| WhatsApp da Defesa Civil | Mandar "Oi" para (61) 2034-4611 e escolher a localização | Sim, gratuito | Alertas da Defesa Civil para as localizações escolhidas |
| Defesa Civil Alerta (cell broadcast) | Já vem habilitado nos celulares compatíveis | Não | Só alertas severos e extremos, para quem está na área de risco com 4G ou 5G |
Fontes: Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), portal gov.br e Guia Defesa Civil Alerta, da Anatel.
Como se cadastrar no 40199 e no WhatsApp da Defesa Civil?
No 40199, escreva no corpo do SMS apenas o CEP e envie para o número 40199. O serviço é gratuito e aceita mais de um CEP por celular: para acompanhar outro lugar, mande um novo SMS com o outro CEP. Faz sentido cadastrar a casa, a escola, a igreja onde o Clube se reúne, a casa dos avós e, antes de um acampamento, o CEP do local. Para ver a lista, envie CONSULTAR; para cancelar, envie SAIR e o CEP.
No WhatsApp, o cadastro é pelo número (61) 2034-4611: mande um "Oi" para o robô de atendimento e compartilhe a localização atual ou escolha outra. Segundo o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), dá para cadastrar várias localizações, como os lugares que a família frequenta ou o destino de uma viagem. Em qualquer canal, o Desbravador faz o cadastro junto com o responsável, no celular que a família combinar.
O que significa o alerta extremo da Defesa Civil no celular?
O Defesa Civil Alerta usa o cell broadcast, conhecido em outros países como alerta de emergência sem fio. A mensagem sai das antenas que cobrem a área de risco e, ao chegar, aparece por cima de qualquer conteúdo, até durante uma ligação, e só sai da tela quando a pessoa a fecha. O texto informa o perigo e diz como se proteger.
Segundo o guia da Anatel, são dois níveis. O alerta extremo indica urgência imediata: a população precisa se proteger naquele exato momento, e o celular toca som de sirene mesmo no modo silencioso. O alerta severo dá um pouco mais de tempo para se preparar; o aparelho emite um bipe que não soa no silencioso, mas a mensagem aparece na tela do mesmo jeito. A Defesa Civil define o conteúdo e a hora de cada envio.
Como ativar o alerta da Defesa Civil no celular?
O alerta já vem habilitado por padrão, mas convém conferir. O guia da Anatel dá como exemplo, no Android, o caminho Configurações, Segurança e emergência, Alertas de emergência sem fio; no iPhone, Ajustes, Notificações, Alertas de Governo. A maioria dos smartphones lançados a partir de 2020 é compatível, desde que tenha 4G ou 5G e Android 11 ou superior (Android 13 ou superior na versão Go) ou iOS 17 ou superior.
O aviso não chega a celular em modo avião, sem sinal ou conectado só em 2G, 3G ou Wi-Fi, e o alerta severo fica de fora para quem desligou os alertas de emergência. O serviço é gratuito: a Anatel avisa que pedido de pagamento ou taxa para receber alertas pode ser golpe e atende dúvidas pelo telefone 1331.
Desconfie de mensagem estranha. Entre a noite de 19 e a madrugada de 20 de junho de 2026, uma invasão ao sistema nacional disparou alertas falsos, com termos como "misantropia", para celulares de ao menos sete estados e do Distrito Federal, segundo a Agência Brasil, e a Polícia Federal passou a investigar. Na dúvida, confira nos canais oficiais da Defesa Civil antes de repassar.
O alerta da Defesa Civil tocou: o que fazer nos primeiros minutos?
Leia a mensagem inteira, com calma, e siga a orientação dela. Avise quem está em casa e confira se avós e vizinhos que moram sozinhos ficaram sabendo. A cartilha do Ministério da Saúde completa: tirar os aparelhos eletrônicos das tomadas, fechar as entradas de gás e os registros de água e recolher os animais.
Se for preciso sair, a família vai para os locais indicados pela Defesa Civil ou para a casa de um parente ou amigo, como combinado no plano, levando o kit e os animais, com os equipamentos desligados e a casa bem fechada. No caminho, não se abrigue embaixo de árvores e fique longe de postes, pelo risco de descarga elétrica; para temporal com raios, siga o protocolo de segurança contra raios. Evite a água e a lama da enchente, que podem estar contaminadas, e não deixe criança brincar nelas.
Ao notar um princípio de deslizamento, avise na hora a Defesa Civil, os Bombeiros e o maior número possível de moradores da área. Os telefones listados na cartilha são Defesa Civil 199, Corpo de Bombeiros 193, SAMU 192, Polícia Militar 190 e Disque-Saúde 136; o guia sobre quando acionar o SAMU 192 mostra o que informar na ligação.
Como montar o plano de emergência da família?
O plano começa antes da chuva, com uma consulta à Defesa Civil da cidade sobre os riscos do bairro, da rua e da casa e, se a moradia estiver em área de risco, sobre os locais que servirão de abrigo. É o que pede a cartilha do Ministério da Saúde. Pergunte também pelo Plano de Contingência Municipal: segundo o MIDR, ele liga cada nível de alerta a ações como abrir pontos de apoio, abrigos e rotas de fuga.
Com essas respostas, sente com a família diante de um mapa do bairro, marque a rota de saída e combine um ponto de encontro para o caso de precisarem sair de casa. Anote os telefones úteis e os contatos dos parentes numa folha de papel, que não depende de bateria. A cartilha pede cuidado redobrado com pessoas com deficiência, crianças, adolescentes e idosos; quem tem mais de 60 anos, porém, ajuda muito no preparo quando conhece a história dos desastres do lugar.
Quando houver alerta de chuva intensa, a cartilha sugere deixar documentos (originais ou cópias), arquivos de computador e fotos com parentes ou amigos de confiança que morem fora de área de risco. Nas reuniões e nos acampamentos, quem responde é a diretoria do Clube, com o plano de emergência do clube.
Mochila de emergência: o que colocar, segundo o Ministério da Saúde?
A cartilha oficial chama de kit o que muita gente procura como mochila de emergência: itens pessoais básicos e papéis que a família não pode perder, guardados juntos numa caixa fácil de carregar na hora de sair às pressas. Uma mochila cumpre a mesma função e deixa as mãos livres. Quem usa remédio contínuo, como insulina, deve deixá-lo em lugar de fácil acesso, junto com a receita, e os cartões de vacina seguem com a família se for preciso ir para um abrigo.
Na internet circulam listas de kit para 72 horas com litros exatos de água por pessoa. A cartilha não fixa esse número: pede, se possível, água para beber engarrafada em casa para alguns dias. Lanterna, pilhas e um kit de primeiros socorros podem entrar como reforço escolhido pela casa, fora da lista oficial. Se a família for para um abrigo, os animais não ficam sozinhos em casa; se o abrigo não os aceitar, entregue o bicho e o kit dele a um amigo ou parente.
| Item | O que a cartilha orienta |
|---|---|
| Documentos | CPF, carteira de identidade e cartões de banco |
| Saúde | Receitas médicas, remédios usados e de uso contínuo, Cartão do SUS e Cartão de Vacina |
| Outros cartões | Cartão do Bolsa Família, Cartão da Gestante e Cartão do Idoso, quando a família tiver |
| Água (em casa) | Se possível, água para beber engarrafada, em quantidade para alguns dias |
| Limpeza (em casa) | Materiais de limpeza, botas de borracha e luvas para higienizar a casa |
| Animais | Comida, água, remédios, registros veterinários e um cartão com o nome do bicho e telefone de contato |
Itens da Cartilha de Orientação à População no Período de Alerta de Chuvas Intensas, Ministério da Saúde, 2017.
Como transformar o tema em desafio da Unidade?
Em duas semanas, cada membro cumpre três tarefas em casa, com o responsável: cadastrar o CEP no 40199, conferir se os alertas de emergência do celular da família estão ativos e montar o plano com ponto de encontro e o kit de documentos e remédios.
A quarta tarefa é ajudar um vizinho idoso a fazer o mesmo, sempre com um adulto da família por perto: mandar o CEP junto com ele e anotar num papel os telefones 199, 193 e 192. A cartilha do Ministério da Saúde termina pedindo solidariedade com os vizinhos e com as pessoas mais vulneráveis. Na reunião seguinte, o Conselheiro confere sem recolher dado de ninguém: cada um conta o que fez, sem anotar CEP nem endereço.
A Bíblia guarda um exemplo antigo de família que levou um aviso a sério. Em Hebreus 11:7 (NVI) está escrito: "Pela fé, Noé, quando avisado a respeito de coisas que ainda não se viam, movido por santo temor construiu uma arca para salvar a sua família". Preparar a casa diante de um alerta combina com a fé. E, se o desastre chegar à sua cidade, o preparo da Unidade vira ajuda para os outros, como mostra o guia sobre como os Desbravadores ajudam em desastres.