A mensagem parecia de um amigo do jogo, o link prometia moedas grátis, e em dois minutos a conta já não era sua. Ou o Pix foi parar numa loja que nunca existiu. Se a pergunta agora é "caí em um golpe, o que fazer?", respire: dá para agir, e a ordem dos passos conta. O CERT.br, grupo de resposta a incidentes de segurança mantido pelo NIC.br, resume a regra: se caiu num golpe, aja rápido, porque isso reduz o prejuízo e evita novas vítimas. Este roteiro, para desbravadores de 10 a 15 anos e suas famílias, começa por uma regra que vale para todos: quem caiu em golpe é vítima, e vítima conta para um adulto.

Caí em um golpe: o que fazer nos primeiros minutos?

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O fascículo Golpes: Caiu? Veja o que Fazer, publicado pelo CERT.br em maio de 2026, começa por cortar o contato com o golpista. Se ele insiste, pede mais dinheiro ou ameaça, pare de responder: não envie mais dinheiro nem informação, não negocie e bloqueie o perfil ou o número. Cada mensagem a mais pode expor dados novos.

O segundo passo é o que mais trava adolescentes: contar para um adulto. Muita gente esconde por vergonha, e o golpista se aproveita desse silêncio (pedir segredo é um dos sinais de golpe listados pelo CERT.br). Escolha um adulto de confiança, seja pai, mãe, responsável, Conselheiro ou Diretor, e conte tudo. É ele quem cuida do banco, do cartão e do boletim de ocorrência.

Para a família, a dica é receber a notícia sem bronca: a conversa sobre o erro fica para depois, porque agora todos jogam no mesmo time.

QuandoO que fazerOnde
Primeiros minutosCortar o contato, bloquear e contar a um adultoNo aplicativo e em casa
Primeira horaTrocar senhas e ativar a verificação em duas etapasCentral de ajuda oficial de cada serviço
Primeira horaContestar o Pix ou a compra no cartãoApp ou canais oficiais do banco
Mesmo diaGuardar provas e registrar o boletim de ocorrênciaDelegacia online do estado
Mesmo diaDenunciar o perfil e avisar os contatosPlataforma e grupos
Semanas seguintesAcompanhar extratos, logins e registros financeirosApp do banco e Registrato

Passos do fascículo Golpes: Caiu? Veja o que Fazer (CERT.br, maio de 2026); o aviso ao adulto e a divisão por horário são da redação.

Conta roubada ou hackeada: o que fazer para recuperar?

Se você digitou a senha numa página falsa ou a contou ao golpista, o CERT.br orienta trocar a senha imediatamente em todas as contas onde ela era usada, ativar a verificação em duas etapas, recusar aprovações de login que você não iniciou e encerrar as sessões abertas em outros aparelhos.

Comece pelo e-mail. O fascículo Autenticação, também do CERT.br, explica: a invasão do e-mail pode levar à invasão de outras contas, se ele for usado para recuperar senhas. Use senha longa (a cartilha sugere três palavras aleatórias) e diferente em cada serviço.

Se o golpista já trocou a senha, use a central de ajuda oficial da plataforma, e só ela. O Google tem uma página de recuperação (accounts.google.com/signin/recovery), e o Instagram indica instagram.com/hacked para perfil invadido. No WhatsApp, registrar o número de novo com o código de seis dígitos desconecta os outros aparelhos; se o invasor criou um PIN de verificação em duas etapas, pode ser preciso esperar sete dias.

Nos jogos, use só o suporte oficial. Quem oferece recuperar a conta por fora, cobrando ou pedindo a senha, merece a regra do CERT.br para tudo que envolve dinheiro ou dados: é golpe até prova em contrário.

Código não se repassa: a central de ajuda do WhatsApp lembra que o código de verificação não se compartilha nem com amigos ou familiares. Quem pede esse código está pedindo a sua conta.

Golpe no Pix tem como recuperar o dinheiro?

Às vezes tem, e a chance cresce com a pressa. O Mecanismo Especial de Devolução (MED), do Banco Central, é o recurso do Pix para devolver valores em casos de golpe, fraude e falha operacional, e o CERT.br o aponta como o caminho mais rápido para quem comprou em site falso, pagou QR Code alterado ou foi enganado a transferir.

O titular da conta contesta a transação no ambiente Pix do aplicativo do banco, que deve oferecer essa função, ou nos canais oficiais. Segundo o guia do MED do Banco Central (versão 4.3), a transação precisa ter no máximo 80 dias, e o banco abre o pedido de recuperação logo após a reclamação, sem exigir boletim de ocorrência nesse momento.

A loja falsa que nunca entrega está coberta; a loja real que atrasou ou mandou outro modelo, não, porque desacordo comercial vai para a Justiça. Pix enviado por engano para a chave errada também fica de fora. E a devolução depende de saldo: desde 2 de fevereiro de 2026, quando a versão 2.0 do MED virou obrigatória, o sistema segue o dinheiro também nas contas para onde ele foi repassado, mas, se ele sumiu, em regra os bancos não são obrigados a cobrir o prejuízo com recursos próprios.

Na compra com cartão de crédito, conteste no app do banco emissor e peça o bloqueio do cartão, como orienta o CERT.br. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) acrescenta que avisar o banco imediatamente permite bloquear o aplicativo e a senha de acesso.

Etapa do MEDPrazo
Contestar o Pix no app ou nos canais do bancoAté 80 dias depois da transação
Seu banco abrir o pedido de recuperaçãoLogo após a reclamação, sem exigir boletim de ocorrência
Banco de quem recebeu analisar o casoAté 7 dias corridos
Seu banco concluir a análise e pedir a devoluçãoAté 72 horas depois da etapa anterior

Fonte: Banco Central do Brasil, guia de devolução no Pix com ênfase no MED, versão 4.3.

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Quais provas guardar e como fazer boletim de ocorrência online?

Antes de apagar qualquer coisa, junte as provas: links, mensagens, capturas de tela, nomes de perfis, números de telefone e comprovantes, além de protocolos, nomes de atendentes, datas e horários, como lista o CERT.br. Esse material serve para pedir estorno, registrar o boletim e acionar a Justiça ou a defesa do consumidor.

O boletim de ocorrência (BO) registra oficialmente o caso e pode ser necessário para contestar fraudes e acionar seguros. Na maioria dos casos, segundo o CERT.br, dá para registrar pela internet, anexando as provas.

Cada estado tem o seu sistema. Em São Paulo, a Delegacia Digital da Polícia Civil aceita pela internet ocorrências de "Fraude e Estelionato", com conta criada no site. No Rio Grande do Sul, a Delegacia de Polícia Online tem a opção "Alguém me enganou" e só registra fatos ocorridos no estado (exceto perda e localização de documentos e objetos). Se o seu caso não estiver entre as opções, vá a uma delegacia.

Quando a vítima é menor de idade, a regra de quem registra muda conforme o estado. Em São Paulo, segundo as dúvidas frequentes da Delegacia Digital, o boletim é feito por um dos pais ou pelo responsável legal, com os dados do menor nos campos da vítima; nos outros estados, confira no site da Polícia Civil local.

Dica: crie no celular de um adulto uma pasta "golpe", com a data do dia, e salve ali todos os prints e comprovantes.

Como denunciar golpes pela internet e avisar quem conhece você?

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Denunciar na plataforma ajuda a tirar do ar perfis, publicações e anúncios maliciosos e protege outras pessoas, explica o CERT.br. Use o botão de denúncia e incentive outras vítimas a denunciar: quanto mais denúncias, maior a chance de o perfil cair.

Avise os seus contatos se invadiram uma conta sua, se criaram perfil falso com o seu nome ou se alguém pede Pix dizendo ser você. Peça que confirmem ligando para o número que já conhecem. O CERT.br sugere combinar uma "senha" de família, uma pergunta que só vocês sabem responder.

O WhatsApp clonado é o caso clássico: segundo a cartilha de delitos eletrônicos da Polícia Civil de São Paulo, o criminoso obtém o código de verificação, assume a conta e pede dinheiro aos parentes e amigos mais próximos. A orientação é pedir a amigos e familiares que tirem o número clonado dos grupos e alertem os contatos em comum, o que no Clube inclui o Conselheiro e o grupo da Unidade.

Para intimidação, humilhação ou outras violações na internet, a SaferNet Brasil mantém o Canal de Ajuda (Helpline), serviço online e gratuito em que um profissional orienta por chat ou e-mail, com anonimato e sigilo.

Atenção: se alguém ameaçar expor fotos ou conversas suas, conte logo a um adulto de confiança e procure o Canal de Ajuda da SaferNet, que orienta esses casos em sigilo.

Se alguém que dizia ser do banco indicou um aplicativo e você instalou, o CERT.br alerta que pode ser malware, capaz de capturar dados, permitir acesso remoto e alterar valores e chaves Pix. A orientação é restaurar o celular às configurações de fábrica e recuperar os dados de um backup confiável. No computador, rode o antivírus e remova o que o golpista mandou instalar.

Em alerta de 2024, a Febraban lembrou que os bancos podem entrar em contato para confirmar transações suspeitas, mas nunca pedem senhas, dados pessoais, pagamentos ou estornos. E atendente que sabe o seu CPF não prova nada: golpistas usam informações vazadas e públicas para parecer verdadeiros, avisa o CERT.br.

Passado o susto, acompanhe extratos, faturas, logins e aparelhos conectados. No Registrato (registrato.bcb.gov.br), consulta gratuita do Banco Central, o adulto da casa confere empréstimos, contas e chaves Pix no próprio CPF, entrando com conta gov.br nível prata ou ouro. Se faltar recuperar valores ou cancelar dívidas feitas pelo golpista, a cartilha indica reclamar no Banco Central, procurar o Procon ou consultar um advogado.

Os efeitos de uma fraude podem ser duradouros ou se manifestar depois de bastante tempoCERT.br, fascículo Golpes: Caiu? Veja o que Fazer, 2026

Como evitar o próximo golpe em família e na Unidade?

O fascículo Golpes: Não se Deixe Enganar, do CERT.br, lista três sinais de alerta: a mensagem diz vir de alguém conhecido, envolve dinheiro, vantagem ou dados pessoais, ou pede ação sem tempo para pensar. Quanto mais você se expõe, mais o golpista aprende sobre você, e o artigo sobre redes sociais com propósito ajuda a decidir o que postar.

Nos jogos, o golpe tem cara conhecida: o link de prêmio, a skin de graça, a moeda infinita, o amigo novo que quer negociar item fora do jogo. A Roblox, por exemplo, afirma na página sobre fraudes que não há ofertas oficiais de Robux grátis e que nunca pede a senha fora da página de login. Moeda e item, só pela loja oficial e com o adulto sabendo.

Contra golpe em jogo, um bom reforço é bloquear, na supervisão parental do aparelho e de cada app, as compras sem autorização; o guia sobre o ECA Digital e o que muda para a família mostra o que as plataformas devem oferecer aos pais desde março de 2026, e o artigo sobre a idade para ter celular e rede social ajuda a combinar as regras.

Na Unidade, faça um treino: o Conselheiro lê mensagens de golpe inventadas e cada desbravador aponta o sinal de alerta e o primeiro passo. O guia da especialidade de Computação e Internet traz cuidados de segurança, e as regras de contato online entre líder e juvenil estão no guia do grupo de WhatsApp dos Desbravadores. Jesus pediu aos discípulos que fossem "prudentes como as serpentes e símplices como as pombas" (Mateus 10:16, ARA).

Checklist da família: senha diferente em cada conta; verificação em duas etapas ligada; códigos de backup guardados; compras em jogos só com aprovação do adulto; senha de família combinada.