Antes de qualquer pastor, chegaram os livros. Provavelmente por volta de 1879, publicações adventistas enviadas da Inglaterra começaram a circular nas ilhas, e anos depois um exemplar de Patriarcas e Profetas, de Ellen White, passou de mão em mão até chegar a um dos primeiros guardadores do sábado de Trinidad. A história dos Desbravadores em Trinidad e Tobago nasce desse terreno preparado pela leitura. Em 1954, apenas quatro anos depois de a Associação Geral oficializar o Clube de Desbravadores no mundo, Trinidad realizou seu primeiro workshop de Desbravadores, em Camp Cumana. Em 2024, uma única feira de Desbravadores em Trinidad reuniu mais de 800 participantes.

Como a Igreja Adventista chegou a Trinidad e Tobago?

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Trinidad e Tobago é um país de duas ilhas no sul do Caribe, diante da costa nordeste da Venezuela, e tem o inglês como língua oficial. A Enciclopédia dos Adventistas do Sétimo Dia (ESDA), mantida pela Associação Geral da Igreja Adventista do Sétimo Dia, resume a trajetória política em três datas: Tobago se juntou à colônia de Trinidad em 1889, a independência chegou em 31 de agosto de 1962 e a república, em 1976.

Segundo a ESDA, o primeiro contato com a mensagem adventista provavelmente veio impresso em papel: publicações enviadas de Southampton, na Inglaterra, por volta de 1879, por iniciativa do pioneiro John Loughborough. O advérbio importa: a enciclopédia não crava a data, e nós também não. Em Tobago, um pequeno grupo reunido em torno de James P. Braithwaite já guardava o sábado em 1880 ou 1881, mas não chegou a se firmar como igreja. No começo da década de 1880, a Sociedade Internacional de Tratados e Missões, sediada nos Estados Unidos, também incluía as duas ilhas entre os destinos dos seus impressos.

Em Trinidad, a ESDA liga a primeira adesão concreta a um único livro: um exemplar de Patriarcas e Profetas, de Ellen White. Quem o comprou foi um ministro vindo de outra ilha; o volume passou depois por um catequista e terminou com alguém que se tornaria um dos pioneiros do sábado em Trinidad. Publicada em 1890, a obra percorre a história bíblica desde a criação até o reinado de Davi. Conheça melhor a autora em quem foi Ellen White.

O ano de 1879 tem sabor especial para quem é do clube: foi quando dois adolescentes de Michigan, nos Estados Unidos, organizaram a primeira sociedade de jovens adventista, ponto de partida das raízes dos Desbravadores nos Jovens Missionários Voluntários.

Lança o teu pão sobre as águas, porque depois de muitos dias o acharás.Eclesiastes 11:1, Almeida Revista e Atualizada (ARA)

Quem foram os primeiros colportores e missionários adventistas em Trinidad?

Colportor é quem leva livros cristãos de casa em casa, e boa parte da história adventista no Caribe passa por essas pessoas. Em Trinidad, o primeiro colportor citado pela ESDA é um americano, William Arnold, que entre 1891 e 1892 bateu de porta em porta e deixou nas casas muitos exemplares de O Grande Conflito, entre outros títulos. Quando Arnold seguiu para a Inglaterra, a Junta de Missões Estrangeiras chamou um caribenho para continuar a obra: Charles D. Adamson, que vendia livros e ensinava a Bíblia tirando o sustento do próprio trabalho. Com os interessados que encontrou, Adamson formou grupos que guardavam o sábado em Couva e em Port of Spain.

Em fevereiro de 1894, chegou a Trinidad um casal missionário: o pastor Andrew Flowers e a esposa, Rachel. A estadia foi curta e dolorosa. Em julho, Flowers morreu de febre amarela em Port of Spain, e dois meses mais tarde Rachel retornou aos Estados Unidos. Por 14 meses a ilha não teve nenhum pastor adventista residente. Quem segurou e consolidou os grupos nesse intervalo foi Adamson, ao lado de St. Clair M. Phipps, um dos interessados de Couva, e de outros irmãos.

O fruto apareceu em 23 de novembro de 1895: em Couva, 28 membros formaram a primeira Igreja Adventista do Sétimo Dia do país. No mesmo ano, bem mais ao sul, nascia a primeira igreja adventista brasileira, em Gaspar Alto (SC), como conta a história de como o adventismo chegou ao Brasil. Em janeiro de 1897, Couva dedicou o primeiro templo adventista da ilha, e em junho foi a vez de Port of Spain organizar sua igreja, com 18 membros. Em 1900, a contagem chegava a cerca de 160 membros, reunidos em três igrejas.

c. 1879
Literatura adventista provavelmente chega da Inglaterra, segundo a ESDA.
1891
O colportor William Arnold começa a vender livros em Trinidad.
1895
Primeira igreja organizada, em Couva, com 28 membros.
1927
A União do Caribe começa a funcionar, com sede em Port of Spain.
1954
Primeiro workshop de Desbravadores de Trinidad, em Camp Cumana.
2024
Feira da Associação do Sul do Caribe reúne mais de 800 desbravadores.

Como a igreja cresceu e se organizou no Caribe de língua inglesa?

O crescimento pediu nova estrutura. Segundo a ESDA, em 1906 Trinidad e Tobago e outras ilhas foram reunidas na Associação do Sul do Caribe, com sede em Port of Spain; o site da própria associação data de 1916 a sua organização como Associação, e a diferença fica registrada aqui. Em 1906, Port of Spain também já tinha uma pequena gráfica adventista, montada por causa do sucesso da revista Caribbean Watchman. No fim de 1913, o país somava 632 membros em 12 congregações. A União do Caribe foi organizada em 1926 e começou a funcionar em janeiro de 1927, também com sede em Port of Spain; em agosto daquele ano abriu as portas a escola que hoje se chama Universidade do Sul do Caribe. A União faz parte da Divisão Interamericana, criada em 1922, a mesma da história dos Desbravadores no México.

Nem todos aplaudiram. A ESDA lembra que, em 26 de abril de 1927, um editorial do jornal Port of Spain Gazette cobrou do governo uma recusa firme a qualquer apoio ao trabalho adventista. O tom mudou com o tempo: em 3 de setembro de 1966, o Trinidad Guardian elogiou em editorial o hospital adventista e a defesa da temperança feita pela igreja.

AnoMarcoNúmeros
1895Primeira igreja, em Couva28 membros
1900Igrejas em Trinidadcerca de 160 membros em 3 igrejas
1913Trinidad e Tobago (fim do ano)632 membros em 12 congregações
1996Trinidad e Tobago (31 de março)48.629 membros em 169 congregações
2024Trinidad e Tobago (fim do ano)68.260 membros em 170 igrejas e 20 grupos organizados

Fontes: Enciclopédia dos Adventistas do Sétimo Dia (ESDA), verbete Trinidad and Tobago (2021), de 1895 a 1996; Associação Geral, Relatório Estatístico Anual de 2025, Tabela 2, para 2024.

Leia tambémOs Desbravadores no México

Quando surgiram os Desbravadores em Trinidad e Tobago?

Os Desbravadores em Trinidad e Tobago entram na história pela porta da Escola Sabatina e dos Jovens Missionários Voluntários. Em 1954, William Wilson Thomson assumiu a secretaria desses dois departamentos, e, segundo a ESDA, foi sob a liderança dele que Trinidad realizou, naquele mesmo ano, seu primeiro workshop de Desbravadores, em Camp Cumana.

A data chama atenção. A Associação Geral tinha aprovado o clube para o mundo inteiro em 1950, como mostra a oficialização dos Desbravadores em 1950, e quatro anos depois Trinidad já promovia um workshop dedicado a ele. Para comparar, o primeiro clube da América do Sul foi organizado no Peru em 1955, e no Brasil os primeiros clubes surgiram em 1959.

Até 1955, segundo a ESDA, o país já tinha três escolas secundárias adventistas, e o trabalho com jovens ganhava novidades, entre elas os acampamentos e o Clube de Desbravadores. Nem a ESDA nem as páginas oficiais da igreja consultadas informam o nome do primeiro clube de Trinidad e Tobago ou a data exata em que ele foi organizado. Por isso, nada disso é afirmado aqui.

Para o seu clube: escreva as datas desta página em cartões e peça que a Unidade monte a linha do tempo no chão. Depois, conversem sobre como um único livro emprestado mudou o rumo de uma pessoa.

Quem foi William Wilson Thomson, o líder do primeiro workshop?

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W. W. Thomson, como William Wilson Thomson ficou conhecido, nasceu em Castara, em Tobago, em 24 de novembro de 1917. Antes de servir à igreja, ganhava a vida com a câmera: manteve um estúdio de fotografia em Port of Spain até 1950. Naquele ano entrou para o quadro de obreiros como secretário da livraria adventista da Associação do Sul do Caribe. A ordenação ao ministério pastoral veio em 17 de dezembro de 1955.

A carreira dele cruzou várias vezes com os jovens. Eleito presidente da Associação do Leste do Caribe em 1970, ele deu, segundo a ESDA, novo fôlego ao ministério jovem e aos clubes de Desbravadores e de Guias Maiores. O relatório do período de 1971 a 1975 soma 6.100 batismos e 11 novas congregações. Em 1975, foi escolhido como o primeiro presidente da recém-criada Associação do Norte do Caribe.

A paciência e a tolerância lhe renderam o apelido de Mr. Understanding (algo como Senhor Compreensão). Aposentou-se em 1982 e morreu na Flórida, nos Estados Unidos, em 12 de março de 2004, aos 86 anos.

Como os Desbravadores entraram nas campanhas de evangelização do Caribe?

A igreja de Trinidad e Tobago ficou conhecida pelas grandes campanhas de evangelização. Em 1966, o pastor afro-americano E. E. Cleveland pregou uma série em Port of Spain que levou 824 pessoas a se unirem à igreja, um recorde mundial de evangelismo na época, segundo a ESDA. A marca caiu em 1993, quando o evangelista leigo jamaicano Fitz Henry passou de 1.200 batismos numa campanha no Queen's Park Savannah.

Os jovens entraram nesse movimento. Em 1984, o Departamento de Jovens da União do Caribe levou a Port of Spain o 2º Congresso de Jovens. Dois anos depois, segundo a ESDA, as cruzadas evangelísticas de Desbravadores se multiplicaram pelo território da União, e o mesmo registro aponta mais de 200 batismos em 1986. Em 1998, Clive P. Dottin, então diretor de Jovens Adventistas da União, lançou no Queen's Park Savannah o Mega Mission Ministry, com grupos de apoio voltados a dependentes químicos, escolas e desempregados, entre outros.

De 27 de março a 1º de abril de 2018, a União do Caribe realizou um campori regional de Desbravadores em Loo Creek, na Guiana, inspirado na história de José; no sábado, 31 de março, 32 desbravadores foram batizados. Em escala maior, clubes de toda a região se encontraram no 5º Campori Interamericano, na Jamaica, em 2023.

Qual a religião de Trinidad e Tobago e quantos adventistas vivem lá?

A religião com mais seguidores em Trinidad e Tobago é a católica romana. No censo de 2011, do Escritório Central de Estatística (CSO), 285.671 pessoas se declararam católicas, seguidas por 240.100 hindus e 159.033 fiéis de igrejas pentecostais e evangélicas. Os adventistas do sétimo dia somaram 54.156 pessoas, cerca de 4,1% da população recenseada em domicílios, alta de 22,7% em relação aos 44.147 de 2000. O país tinha 1.328.019 habitantes naquele censo.

O censo mede quem se declara adventista; a igreja conta membros batizados. Segundo o Relatório Estatístico Anual de 2025 da Associação Geral, Trinidad e Tobago fechou 2024 com 68.260 membros em 170 igrejas e 20 grupos organizados, o equivalente a um adventista batizado para cada 20 habitantes. Desse total, 61.084 pertencem à Associação do Sul do Caribe, que hoje cobre só a ilha de Trinidad, e 7.176 à Associação de Tobago. Tobago virou Missão própria em 2004 e, segundo a própria Associação de Tobago, foi elevada a Associação em 2023.

Religião declaradaPessoas no censo de 2011
Católica romana285.671
Hinduísmo240.100
Pentecostal e evangélica159.033
Batista90.953
Anglicana74.994
Islã65.705
Adventista do Sétimo Dia54.156

Fonte: Escritório Central de Estatística de Trinidad e Tobago (CSO), Censo de 2011, Relatório Demográfico, Tabela 1.7 (maiores grupos religiosos nomeados; as categorias Outra e Não declarada ficam de fora).

Como estão os Desbravadores em Trinidad e Tobago hoje?

Os Desbravadores em Trinidad e Tobago seguem ativos. De 2 a 4 de agosto de 2024, mais de 800 desbravadores se reuniram na El Dorado East Secondary School para a Feira de Guias Maiores e Desbravadores da Associação do Sul do Caribe, segundo a própria associação. A feira veio logo depois do YUTCAH, programa de jovens da União do Caribe, e recebeu no sábado visitantes de outros países caribenhos. O encontro terminou com um grande desfile no domingo.

Setenta anos separam o workshop de Camp Cumana dessa feira. No caminho ficaram um livro emprestado, um colportor estrangeiro, um missionário que morreu poucos meses depois de chegar e um fotógrafo de Tobago que virou líder de jovens. Quando o seu clube estudar a história mundial do movimento, inclua essas duas ilhas do Caribe, onde a leitura chegou antes dos pastores.