Mais de 6.300 adolescentes desbravadores adventistas de cerca de quinze países montaram acampamento no Jamhuri Park, em Nairóbi, capital do Quênia, para o Primeiro Campori Pan-Africano de Desbravadores, realizado de 14 a 23 de agosto de 2003. De acordo com a Adventist News Network (ANN), agência oficial de notícias da Igreja Adventista do Sétimo Dia, foi o primeiro encontro de desbravadores dessa dimensão organizado em nível pan-africano.
O evento durou dez dias e juntou, em um mesmo espaço, delegações que vieram de várias partes da África e também de fora do continente. Para o movimento juvenil adventista, um campori reunindo milhares de adolescentes de tantos países foi um sinal do tamanho que o programa de Desbravadores já tinha alcançado na região.
O que aconteceu em Nairóbi
O Jamhuri Park é um amplo espaço de eventos e feiras na cidade de Nairóbi, no Quênia. Foi ali, segundo a Adventist News Network, que se armou o acampamento do Primeiro Campori Pan-Africano de Desbravadores, entre os dias 14 e 23 de agosto de 2003.
O número informado pela cobertura oficial impressiona: mais de 6.300 adolescentes desbravadores acamparam juntos. Cada um deles integra o programa de Desbravadores, o clube que a Igreja Adventista do Sétimo Dia mantém para meninos e meninas de 10 a 15 anos, com atividades de vida ao ar livre, estudo da Bíblia, especialidades e serviço à comunidade.
Reunir esse contingente por dez dias exige uma estrutura considerável — barracas, água, alimentação, segurança, programação diária e liderança para milhares de jovens vindos de contextos diferentes. Foi essa logística que colocou o campori de Nairóbi entre os grandes eventos do calendário adventista de 2003.
As delegações: um mapa vivo da África adventista
O que deu ao encontro o caráter pan-africano foi a origem dos participantes. De acordo com a Adventist News Network, o campori reuniu delegações de vários países, entre eles Burundi, República Democrática do Congo, Etiópia, Quênia, Malawi, Ruanda, Seychelles, África do Sul, Tanzânia, Uganda, Zâmbia e Zimbábue.
Além das nações africanas, a cobertura registrou delegações de fora do continente — do Reino Unido, de Singapura e dos Estados Unidos —, o que reforçou o tom internacional do evento e o intercâmbio entre desbravadores de culturas muito distintas.
Para o leitor que conhece um campori pelo lado brasileiro, vale a comparação: é como ver, lado a lado, dezenas de clubes de estados diferentes, só que aqui as fronteiras eram nacionais. Adolescentes que falam línguas distintas, vindos de países que nem sempre têm entre si uma história fácil, dividindo o mesmo campo por uma semana e meia.
Afinal, o que é um campori?
Para quem chega agora ao movimento, um campori é um grande acampamento que reúne vários clubes de Desbravadores ao mesmo tempo. Ele pode ser de um distrito, de uma região, de um país ou, como foi o caso de Nairóbi, de um continente inteiro.
A programação típica combina acampamento propriamente dito — barracas, cozinha de campo, ordem unida — com competições, apresentações, momentos de louvor, pregações e atividades que colocam à prova as habilidades aprendidas ao longo do ano no clube: nós e amarras, primeiros socorros, orientação, pioneiria, entre outras.
O objetivo, além da aventura, é espiritual e formativo. O campori é onde o desbravador vê que não está sozinho: que faz parte de um movimento que, no caso adventista, se espalha por praticamente todos os países do mundo. Um encontro pan-africano leva essa percepção a outro nível — o adolescente queniano descobre, na barraca ao lado, um colega da Etiópia ou do Zimbábue vivendo exatamente o mesmo compromisso.
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Camporis regionais e nacionais já existiam em vários pontos da África antes de 2003. O que a Adventist News Network destacou no evento de Nairóbi foi a escala: reunir desbravadores de tantos países africanos, ao mesmo tempo e no mesmo lugar, era algo inédito naquele porte.
Esse tipo de marco costuma acompanhar o crescimento da Igreja Adventista no continente. A África faz parte do território que, na organização da igreja, corresponde à Divisão da África Centro-Oriental — uma das regiões de expansão mais acelerada do adventismo mundial. Um campori pan-africano com milhares de jovens é, ao mesmo tempo, resultado desse crescimento e combustível para ele: cada adolescente investido e engajado tende a puxar outros.
Também há um valor simbólico difícil de medir. Colocar juntos, em paz e em cooperação, adolescentes de países que enfrentavam contextos sociais e políticos complexos no início dos anos 2000 é, por si só, uma declaração sobre o que o movimento se propõe a formar: jovens de serviço, disciplina e fé, acima de fronteiras.
Por que Nairóbi foi a cidade escolhida
Sediar um encontro pan-africano exige uma cidade com estrutura para receber milhares de visitantes de vários países, com aeroporto internacional, hospedagem de apoio e um espaço grande o bastante para acampar. Nairóbi, capital do Quênia e um dos principais centros urbanos da África Oriental, reúne essas condições — e o Jamhuri Park é justamente um de seus grandes espaços de eventos e feiras.
Há também a força do próprio adventismo na região. O leste da África é uma das áreas em que a Igreja Adventista do Sétimo Dia mais cresceu nas últimas décadas, com um número expressivo de membros e de clubes de jovens. Concentrar o campori em Nairóbi aproximou o evento de uma boa parte das delegações e facilitou a logística de deslocamento dentro do continente.
Escolher a capital de um país da região para um marco continental tem, ainda, um efeito de visibilidade: coloca o movimento juvenil adventista diante da sociedade local, mostra publicamente milhares de adolescentes organizados em torno de disciplina, serviço e fé, e planta a semente para que camporis futuros ganhem escala parecida em outros pontos da África.
O que esse campori diz ao desbravador de hoje
Passadas duas décadas, o encontro de Nairóbi continua sendo uma referência de que o clube que você frequenta faz parte de algo muito maior do que a sua cidade. O mesmo lenço, a mesma bandeira, o mesmo ideal que você conhece estavam ali, em 2003, no meio de milhares de adolescentes africanos.
Se você já foi a um campori — estadual, de união ou de divisão —, sabe a diferença que faz acampar ao lado de clubes que você nunca tinha visto. O campori pan-africano foi essa experiência multiplicada por um continente. E ele lembra que a história dos Desbravadores não se escreve só no Brasil ou na América do Sul: ela é escrita, ao mesmo tempo, em Nairóbi, em Kinshasa, em Adis Abeba e em tantos outros lugares.
Para o clube que planeja o próximo grande acampamento, fica também a lição de logística e propósito: eventos assim exigem preparo, mas devolvem em memória, em amizade e em fé algo que nenhuma reunião comum de sábado consegue entregar. Foi o que mais de 6.300 desbravadores levaram para casa quando as barracas do Jamhuri Park foram desarmadas.