Uma coleção de cerca de 50 mil itens vindos de 56 países passou a contar, em um só lugar, a história do movimento dos Desbravadores no mundo. O acervo pertence ao Museu Internacional dos Desbravadores e reúne fotografias, uniformes, manuais e milhares de emblemas de eventos, segundo informou a Notícias Adventistas. A instituição está registrada em União da Vitória, no Paraná.

De acordo com a reportagem, o destaque do acervo é uma coleção de aproximadamente 7.500 emblemas, que inclui quase todos os camporis já realizados pela sede sul-americana da Igreja Adventista do Sétimo Dia. O material foi reunido ao longo dos anos por meio de trocas e doações entre desbravadores de diferentes países.

A iniciativa partiu de dois amigos de Curitiba: o administrador Carlos Araujo e o empresário Nelson Pires, que colecionavam emblemas e decidiram organizar formalmente o museu depois de participarem do Campori Sul-Americano de 2014.

Um acervo de 50 mil itens em uma cidade do interior do Paraná

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O Museu Internacional dos Desbravadores fica em União da Vitória, cidade do sul do Paraná, na divisa com Santa Catarina. É de lá que parte o esforço de reunir, catalogar e preservar um acervo que, segundo a Notícias Adventistas, chega a cerca de 50 mil itens de 56 países.

Entre os objetos guardados estão fotografias, uniformes e manuais que documentam décadas de atividade do movimento em diferentes continentes. Mais do que peças isoladas, o conjunto funciona como um registro material de como os Desbravadores se organizaram, se vestiram e se comunicaram ao longo do tempo, em países com culturas e idiomas muito distintos entre si.

De acordo com a divisão, boa parte desse material não foi comprada: chegou por trocas e doações. É uma dinâmica familiar a quem já frequentou um acampamento, onde a troca de emblemas entre clubes de regiões diferentes é quase um ritual à parte da programação oficial.

7.500 emblemas: quase todos os camporis da América do Sul

Dentro do acervo, uma coleção se destaca: cerca de 7.500 emblemas de eventos. Segundo a Notícias Adventistas, ela inclui quase todos os camporis já realizados pela sede sul-americana da Igreja Adventista, a chamada Divisão Sul-Americana (DSA).

Para o leitor que está começando agora, vale a explicação: o campori é o grande acampamento que reúne clubes de Desbravadores de uma região, de um país ou de toda uma divisão administrativa da igreja. Cada edição costuma ter seu próprio emblema, um pequeno bordado ou botton comemorativo, com data, tema e identidade visual próprios. Guardados lado a lado, esses emblemas formam uma espécie de linha do tempo visual do movimento.

É por isso que uma coleção que reúne quase todos os camporis da DSA tem peso histórico: ela permite acompanhar, em um único painel, a evolução dos temas, das artes e do alcance desses encontros ao longo de décadas, algo difícil de reconstruir a partir de registros dispersos.

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Da coleção de dois amigos a um museu com estatuto próprio

O museu nasceu de uma amizade e de um hobby. Segundo a reportagem, os curitibanos Carlos Araujo, administrador, e Nelson Pires, empresário, já colecionavam emblemas quando participaram do Campori Sul-Americano de 2014. Foi a partir daquele evento que a dupla decidiu transformar o acervo particular em algo organizado e permanente.

A ideia amadureceu até virar instituição. Hoje o Museu Internacional dos Desbravadores tem sede, CNPJ e estatuto próprios, com uma diretoria formada por integrantes de diferentes partes do Brasil, o que dá ao projeto uma estrutura formal, capaz de receber doações e organizar o crescimento do acervo de forma mais estável do que uma coleção pessoal permitiria.

Essa passagem do hobby para a instituição é o que diferencia o museu de tantas coleções particulares que existem entre desbravadores. Ao formalizar o projeto, os fundadores criaram uma estrutura que pode sobreviver aos próprios colecionadores e continuar recebendo peças de qualquer parte do mundo.

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A meta dos 10 mil emblemas e o sonho do Guinness

Segundo a Notícias Adventistas, os responsáveis pelo museu tinham uma meta clara: alcançar 10 mil emblemas para então buscar um registro no Guinness Book, o livro dos recordes. Dos cerca de 7.500 já reunidos até a divulgação, faltava, portanto, um empurrão final para completar o número desejado.

Buscar um recorde não é apenas uma questão de vaidade. Para um projeto que depende de doações, um objetivo público e verificável funciona como convite: cada desbravador que tem em casa um emblema antigo passa a ter um motivo concreto para contribuir e, de quebra, ver sua peça integrada a um acervo reconhecido internacionalmente.

O Desbravai não localizou, nas fontes consultadas, confirmação de que o registro no Guinness tenha sido efetivado. O que está documentado é a meta declarada à época, e o tamanho do acervo já reunido, que por si só coloca o museu entre as maiores coleções do gênero ligadas ao movimento.

Por que preservar a memória dos Desbravadores importa

O movimento dos Desbravadores é um clube de meninos e meninas, em geral dos 10 aos 15 anos, mantido pela Igreja Adventista do Sétimo Dia em todo o mundo. Ele combina atividades ao ar livre, estudo, serviço comunitário e formação espiritual, e tem forte presença na América do Sul, uma das regiões com maior número de clubes.

Um movimento com essa história acumula, ao longo das décadas, uma enorme quantidade de material, de uniformes que mudaram de corte a manuais que foram reescritos, passando por emblemas que registram cada grande encontro. Sem um lugar para guardar tudo isso, boa parte se perde em caixas de garagem, em mudanças e no tempo.

É aí que um museu como o de União da Vitória cumpre um papel que vai além da curiosidade. Ao reunir 50 mil itens de 56 países, ele oferece às novas gerações de desbravadores a chance de ver, em objetos concretos, de onde vem o movimento do qual fazem parte, e de perceber que a coleção de emblemas que começam a montar hoje pode, um dia, virar patrimônio.