Em 21 de maio de 1863, numa cidadezinha chamada Battle Creek, no estado de Michigan, um grupo pequeno de crentes se reuniu para organizar oficialmente a Igreja Adventista do Sétimo Dia. Precisavam escolher um primeiro presidente. O nome mais óbvio, James White, recusou o cargo por motivos pessoais. A escolha recaiu sobre um fazendeiro de barba branca e quase 65 anos: John Byington.

Ele não era um estranho no mundo da fé. Antes disso, tinha passado quase quatro décadas como pregador metodista, construíra capelas com as próprias mãos e arriscara a liberdade escondendo pessoas escravizadas que fugiam rumo ao Canadá. Quando você conhece a história dele, entende por que os pioneiros confiaram a ele o primeiro cargo de liderança da igreja.

A vida de Byington fala diretamente com quem hoje veste o uniforme de Desbravador. Ele mostrou que liderar de verdade tem tudo a ver com servir, e essa é uma lição que cabe perfeitamente no seu Clube.

De Vermont ao chamado: quem foi John Byington

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John Byington nasceu em 8 de outubro de 1798, em Hinesburg, no estado de Vermont, nos Estados Unidos. O pai dele, Justus, era veterano da Guerra da Independência americana e pregador metodista itinerante, daqueles que percorriam longas distâncias a cavalo para levar sermões de cidade em cidade. Crescer numa casa assim marcou o menino: a fé não era assunto de domingo apenas, era estrada, esforço e serviço.

Ainda jovem, John seguiu os passos do pai. Tornou-se pregador licenciado da Igreja Metodista em Vermont e depois no estado de Nova York. Não ficava parado atrás de um púlpito. Construiu capelas e casas paroquiais com as próprias mãos nas localidades de Bucks Bridge, Morley e Lisbon. Quem trabalha assim aprende cedo que liderança se prova no suor, não só na palavra.

Byington também tinha convicções fortes sobre justiça. Chegou a ajudar a formar a Igreja Metodista Wesleyana, um grupo que se separou por discordar da postura da igreja diante da escravidão. Ele não conseguia separar o que cria da forma como vivia. Essa coerência seria a marca da vida inteira dele.

A fazenda que escondia fugitivos

Este é o capítulo mais dramático da história de Byington. No estado de Nova York, ele atuou como um dos agentes da Underground Railroad, a Ferrovia Subterrânea. O nome engana: não havia trilhos nem trens. Era uma rede secreta de pessoas corajosas que ajudavam escravizados a fugir do sul dos Estados Unidos rumo à liberdade no Canadá.

Segundo evidências levantadas por historiadores, Byington teria construído esconderijos secretos, pequenos vãos ocultos, na capela metodista de Bucks Bridge e na casa paroquial de Morley, para abrigar fugitivos enquanto o perigo passava. Fazer isso era crime na época. Ele arriscava multas, prisão e a própria segurança da família por gente que a lei sequer reconhecia como gente.

Byington presidia com frequência reuniões da Sociedade Antiescravista do condado de St. Lawrence e assinou petições ao Congresso americano exigindo o fim da escravidão. Para ele, escravizar alguém era, nas palavras dele, um ultraje e um pecado. Guardar essa história ajuda você a entender que defender o que é certo às vezes custa caro, e mesmo assim vale a pena.

O encontro com o sábado

Por volta de 1852, a vida de Byington deu uma guinada. Ele conheceu a mensagem dos adventistas guardadores do sábado e se convenceu de que o sétimo dia da semana, o sábado, continuava sendo o dia de descanso apontado por Deus na criação. Aos 53 anos, depois de quase quatro décadas como metodista, ele mudou de rumo.

Trocar de igreja na maturidade não é decisão pequena. Significava recomeçar convivências, abrir mão de posições conquistadas e enfrentar o estranhamento de amigos. Byington fez isso porque, para ele, seguir a Bíblia estava acima do conforto. Se você quer entender melhor por que os adventistas guardam o sábado, vale conhecer essa explicação sobre o sábado.

O movimento adventista daquela época era jovem, pequeno e ainda estava se organizando. Homens e mulheres de fé como Byington deram estrutura ao que hoje é uma igreja mundial presente em quase todos os países. A firmeza dele em abraçar uma verdade nova, mesmo já velho, é um exemplo de mente aberta que qualquer adolescente pode admirar.

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21 de maio de 1863: o primeiro presidente

No fim da tarde de 20 de maio de 1863, cerca de vinte delegados vindos de igrejas do meio-oeste e do nordeste dos Estados Unidos se juntaram em Battle Creek, no estado de Michigan, com um propósito claro: organizar formalmente a Associação Geral dos Adventistas do Sétimo Dia. Era o nascimento da estrutura da igreja como você a conhece.

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No dia 21 de maio, chegou a hora de eleger o primeiro presidente. James White, uma das figuras mais influentes do movimento, era o favorito natural, mas recusou o cargo por razões pessoais, entre elas evitar a impressão de que buscava poder para si. Os delegados então elegeram John Byington. O velho abolicionista, agora com quase 65 anos, tornava-se o primeiro presidente mundial dos adventistas.

Escolher Byington dizia muito sobre os valores daquele grupo. Eles não buscaram o mais jovem, o mais eloquente ou o mais famoso. Escolheram alguém com décadas de serviço comprovado, alguém que já havia arriscado tudo por causas justas. A liderança, para eles, se conquistava vivendo.

Dois mandatos na estrada

Byington serviu dois mandatos de um ano cada, de 1863 a 1865. Ninguém pense que presidir significava ficar sentado num escritório. Ele voltou para o que fazia de melhor: pegar a estrada. Percorreu centenas de quilômetros por Michigan e Indiana estabelecendo igrejas, pregando, batizando novos convertidos e ordenando diáconos e presbíteros.

Repare no padrão: aos 65 anos, o presidente da igreja continuava viajando como um pregador itinerante, do mesmo jeito que o pai fazia a cavalo décadas antes. O cargo mais alto não o afastou do trabalho de base. Ele liderava fazendo, e essa é uma imagem preciosa para qualquer Diretor ou Conselheiro de Clube guardar no coração.

Ao deixar a presidência em 1865, Byington não se aposentou da fé. Continuou pregando e servindo pelo resto da vida. Faleceu em 7 de janeiro de 1887, aos 88 anos, e foi sepultado ao lado de Catharine, sua esposa por mais de cinquenta anos, no Cemitério Oak Hill, em Battle Creek. Uma vida longa, e do começo ao fim dedicada aos outros.

O que Byington ensina a um Desbravador

A vida de John Byington é um mapa vivo do que significa ser um servo-líder, e esse é justamente o coração do ideal do Desbravador. Jesus definiu esse tipo de grandeza com todas as letras. Em Marcos 10:43-44, na versão Almeida Revista e Atualizada, Ele disse: "Mas entre vós não é assim; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós será servo de todos". Byington viveu esse verso antes mesmo de presidir a igreja.

Pense no seu Clube. O melhor líder de Unidade nem sempre é quem grita mais alto ou marcha na frente. Muitas vezes é aquele que carrega a mochila do colega cansado, que arma a barraca dos outros antes da própria, que fica por último para garantir que ninguém ficou para trás. Isso é liderança no estilo de Byington, e no estilo de Cristo.

A fidelidade nas pequenas tarefas também aparece na parábola dos talentos. Em Mateus 25:21 lemos: "Disse-lhe o senhor: Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor". Byington foi fiel construindo capelas, escondendo fugitivos e percorrendo estradas. Você constrói o mesmo caráter cumprindo com capricho cada requisito de Classe, cada tarefa da Especialidade, cada serviço na comunidade. Se quiser dar um passo além no preparo para liderar, conheça a Classe de Líder.