Faltam três meses para o VI Campori da Divisão Sul-Americana (DSA), em Barretos (SP), e em muitas igrejas a pauta da comissão já chegou ao ônibus. Antes de assinar contrato, o Diretor precisa saber se a empresa tem autorização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e se vai emitir a licença de viagem ANTT com a lista de passageiros do clube. Este guia mostra onde olhar, o que pedir por escrito, como montar uma lista que sirva à ANTT e ao Campori, e o recado da decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) sobre viagem religiosa gratuita.

Quando o ônibus do clube precisa de licença de viagem da ANTT?

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A ANTT autoriza e fiscaliza o fretamento interestadual e internacional de passageiros, regulado pela Resolução ANTT nº 4.777, de 6 de julho de 2015. A ida de um Clube de Desbravadores a um campori costuma se encaixar no fretamento eventual: grupo fechado, viagem ocasional, sem interesse turístico, com relação de passageiros e nota fiscal. O guia para passageiros da agência cita eventos religiosos entre os usos desse tipo de fretamento.

No fretamento, a viagem é em circuito fechado: o mesmo grupo vai e volta no mesmo veículo, e a empresa não pode vender passagem avulsa nem levar quem está fora da lista.

Viagem que começa e termina no mesmo estado segue o órgão estadual, e as regras variam. Em São Paulo, o fretamento intermunicipal depende de autorização da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), que mantém consulta pública de empresas.

O Campori DSA 2027 acontece no Parque do Peão, em Barretos, em duas edições: Alfa, de 5 a 10 de janeiro de 2027, e Ômega, de 12 a 17 de janeiro. Clubes de cidades paulistas viajam sob a regra estadual; os demais cruzam divisa ou fronteira e entram na esfera da ANTT.

Tipo de viagemQuem autorizaExemplo rumo a Barretos
InterestadualANTTClube de Minas Gerais ou da Bahia
InternacionalANTT no lado brasileiro, com regras internacionais própriasClube do Paraguai ou da Argentina
Intermunicipal em São PauloArtespClube de Ribeirão Preto
Intermunicipal em outro estadoÓrgão estadual, que variaTranslado até o embarque, dentro do estado

Fontes: Resolução ANTT nº 4.777/2015 e Artesp (2026).

Ônibus cedido de graça precisa de licença? O que o TRF1 decidiu em 2026

Em notícia de 23 de setembro de 2026, o TRF1 informou que a 6ª Turma manteve, por unanimidade, a multa aplicada pela ANTT à proprietária de um veículo usado numa viagem interestadual sem autorização (processo 0020379-90.2016.4.01.3700). A defesa alegou que o transporte era gratuito e tinha caráter religioso, sem finalidade comercial.

O relator, desembargador federal João Carlos Mayer Soares, lembrou que a Resolução nº 4.777/2015 exige a Licença de Viagem no transporte eventual mesmo sem finalidade comercial, como nas romarias. A licença permite à agência verificar antes da saída as condições técnicas do veículo, o seguro obrigatório de responsabilidade civil e a identificação do grupo. A declaração de viagem gratuita e religiosa não derrubou o auto de infração, e o relator ressaltou que o transporte interestadual, "mesmo em caráter não oneroso, demanda prévia autorização do órgão regulador".

O Manual Administrativo do Clube de Desbravadores, da DSA, traz até um modelo de ofício para pedir a uma instituição a "disponibilização de ônibus para Campori de Desbravadores". Pedir continua legítimo, mas, antes de aceitar um ônibus emprestado para cruzar a divisa, pergunte ao dono como a viagem será regularizada na ANTT e peça a resposta por escrito. Sem resposta clara, leve a dúvida à sua Associação ou Missão e a um profissional de direito.

Como fazer a consulta da empresa de fretamento na ANTT?

A página de fretamento da ANTT resume a checagem em quatro passos: pesquisar a empresa pelo CNPJ ou pelo nome, conferir o adesivo da agência, pedir a Licença de Viagem e olhar as condições do veículo e do motorista. Peça à empresa, por escrito, o CNPJ e a placa de cada ônibus.

Com esses dados, abra o Portal de Dados Abertos da ANTT (dados.antt.gov.br). A base Empresas Habilitadas traz razão social, CNPJ, número do Termo de Autorização e vigência do cadastro; em outubro de 2026, o arquivo de fretamento reunia 9.659 registros. A base Veículos Habilitados mostra, placa por placa, se o ônibus está liberado para o serviço fretado, a validade do Certificado de Segurança Veicular (CSV) e do seguro de responsabilidade civil, o ano de fabricação e o número de assentos.

O adesivo oficial tem fundo branco, a sigla ANTT em verde e os seis últimos algarismos do cadastro da empresa, do lado de fora da porta dianteira direita. Sem ele, a ANTT orienta pedir explicações à empresa, e avisa que preço muito abaixo do mercado pode indicar transporte irregular. Para comparar propostas, veja quanto custa levar o clube ao Campori DSA 2027.

O que conferirOndeO que precisa bater
EmpresaEmpresas HabilitadasCNPJ do contrato, com cadastro vigente além da volta
ÔnibusVeículos HabilitadosPlaca liberada para fretamento, CSV e seguro válidos até o retorno
CapacidadeVeículos HabilitadosAssentos suficientes; ninguém viaja em pé
IdentificaçãoPorta dianteira direitaAdesivo ANTT com o número da empresa

Checklist com base na Resolução ANTT nº 4.777/2015 e nas bases públicas da ANTT (outubro de 2026).

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Quem pode emitir a licença de viagem ANTT e o que ela traz?

Quem emite a licença de viagem ANTT é a empresa autorizada, nunca o clube. A Resolução nº 4.777/2015 manda a transportadora gerar o documento no sistema da agência antes de cada viagem e levá-lo a bordo com a relação de passageiros. Se a documentação do veículo estiver irregular, a emissão fica impedida.

A licença traz os dados da empresa, do contratante, da nota fiscal, do veículo e dos motoristas, os endereços de embarque, o roteiro, as datas e horários e a lista de passageiros, e os horários precisam prever paradas para descanso e refeição. Como o fretamento eventual prevê emissão de nota fiscal, proposta "sem nota" merece desconfiança.

Para constar na licença, o motorista precisa estar cadastrado pela empresa no sistema, e as orientações do próprio sistema da ANTT dizem que a ativação depende de certidões de antecedentes criminais estadual e federal. A resolução ainda proíbe motorista sem vínculo empregatício com a empresa, um argumento concreto na reunião com os pais.

Peça cópia da licença impressa na véspera e compare a placa do ônibus, os nomes dos motoristas e a lista de passageiros. Se algo não bater, resolva antes de a porta fechar.

Como fazer a lista de passageiros ANTT que também vale no Campori?

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A Resolução nº 4.777/2015 pede, no mínimo, nome, ao menos um sobrenome, número do documento de identificação e órgão emissor de cada passageiro. O Manual de Orientações do VI Campori DSA vai além: a pasta de documentos obrigatórios abre com a relação de viagem, com nome completo, data de nascimento, RG, CPF e contatos de emergência de todos os passageiros, e atribui a exigência a uma determinação da ANTT. Faça uma lista só, no padrão mais completo.

Depois da licença emitida, a empresa pode incluir ou substituir no máximo 20% dos passageiros, à mão, na lista impressa, antes de o ônibus deixar cada ponto de embarque do estado de origem. Num ônibus com 46 nomes, isso dá nove trocas. Acima desse limite, a correção à mão já não resolve, então feche a lista com folga.

Na chegada a Barretos, segundo o Manual, todos os ônibus são inspecionados e só são liberados depois da conferência dos inscritos. A mesma pasta, avaliada na Etapa II do Campori (150 pontos), pede cópia do contrato do ônibus e os dados dos motoristas: nome completo, telefone e cópia da CNH. Cobre esses papéis no ato do contrato.

A lista reúne documentos de menores de idade, então circula impressa na pasta da diretoria, fora de grupos de mensagens. A autorização dos pais está no guia de autorização de saída e viagem, e o quadro completo do evento, em requisitos do Campori DSA 2027.

CampoMínimo da ANTTRelação de viagem do Campori
NomeNome e um sobrenomeNome completo
DocumentoNúmero e órgão emissorRG e CPF
Nascimento e contato de emergênciaFora do mínimoExigidos
MudançasAté 20%, à mão, antes da saídaConferência dos inscritos na chegada

Fontes: Resolução ANTT nº 4.777/2015 (art. 36) e Manual de Orientações do VI Campori DSA (2025).

O que acontece se o ônibus for clandestino?

Desde 18 de agosto de 2026, quando entrou em vigor a Resolução ANTT nº 6.074/2025, as regras de penalidades do fretamento tratam como serviço clandestino o transporte interestadual ou internacional remunerado feito sem autorização da ANTT ou em modalidade diferente da autorizada. Flagrada a viagem, os passageiros passam para um veículo autorizado até um terminal ou ponto indicado pela fiscalização, e o ônibus fica recolhido por 96 horas. O infrator responde pela multa e deve garantir passagens e assistência. A mesma norma revogou a Resolução nº 4.287/2014, e as 72 horas de apreensão ainda citadas em páginas antigas deixaram de valer.

Para o clube, seriam adolescentes à espera de transbordo na rodovia, com o Campori começando sem eles. O resumo da apólice no Manual Administrativo da DSA lista entre as exclusões do Seguro Anual o "transporte terrestre não regulamentado pelo Código Nacional de Trânsito e pela ANTT", e o manual de 2025 da Adventist Risk Management (ARM) repete a exclusão.

São dois seguros diferentes, e um não substitui o outro. O Seguro Anual protege o membro nas atividades do clube, inclusive na viagem oficial em grupo sob supervisão do líder (detalhes no guia do seguro anual do clube), e o Manual do Campori o exige, com vigência 2026/2027, para a inscrição. O seguro de responsabilidade civil é obrigação da empresa, em nome dela e válido durante toda a viagem.

O que conferir no embarque e a quem ligar na estrada?

No dia da saída, antes de chamar a turma, passe o checklist abaixo e olhe pneus e faróis. O Código de Trânsito Brasileiro torna o cinto obrigatório para condutor e passageiros, e a ANTT inclui cintos nos assentos entre os direitos de quem viaja fretado.

Em viagem longa, acerte as paradas antes de assinar. O Código de Trânsito proíbe o motorista profissional de dirigir ônibus de passageiros por mais de cinco horas e meia seguidas e prevê 30 minutos de descanso a cada quatro horas ao volante. A tabela do Manual do Campori estima 34 horas de Fortaleza a Barretos, então ponha em contrato como a empresa vai organizar o descanso dos motoristas.

Segundo a ANTT, risco imediato em rodovia federal, como direção perigosa, lotação acima da capacidade ou veículo em más condições, vai para a Polícia Rodoviária Federal (191, 24 horas, também pelo aplicativo PRF Brasil). Em via urbana ou rodovia estadual, ligue 190, da Polícia Militar. Falta de autorização ou de licença vai para a Ouvidoria da ANTT (166) ou para a plataforma Fala.BR. Anote placa, número do adesivo, local, empresa, horário e o que aconteceu.

Checklist de embarque: adesivo ANTT na porta · placa igual à da licença · licença impressa com a lista · cintos funcionando · contrato e dados dos motoristas na pasta do Campori.